Era costume, antigamente, dar uma tigela de sopa aos pobres que circulavam pelas aldeias, vilas ou cidades do país. Havia também, nas cidades, os Albergues de Mendicidade. Era necessário retirar das ruas essa “praga”, para que não transfigurassem a paisagem e se pensasse que os portugueses viviam todos bem, sabendo-se que se tratava duma rotunda mentira.Vi há dias, num canal televisivo de língua francesa que, dado o enorme número de tuberculosos que afecta o país, se viram obrigados a reactivar diversos sanatórios, uma vez que só na região de Paris, anualmente surgem quatrocentos mil novos casos de doença, considerada da pobreza, contando com muitos imigrantes.
Em Portugal e noutros países, prefere-se manter as aparências e também fechados os sanatórios, permitindo que os doentes possam transmitir a mazela a outras pessoas, sobretudo nos bairros sociais, transportes públicos, etc…
Por outro lado, como Portugal é considerado um país evoluído – valham-nos Deus e as Santas Almas – nada ou muito pouco se faz quanto à tuberculose, obrigando-se os afectados a deslocar-se diariamente, chova ou neve, aos dispensários para receberem a medicação do dia para tentar combater a doença.
Mas, eis senão que.., algumas autarquias tiveram um “flash” e se lembraram de fornecer uma refeição diária às crianças nas escolas, o que me leva a perguntar a mim próprio donde terá surgido ideia tão luminosa e brilhante?, porque a «crise» que a todos afecta é tão grande que obriga a que se retroceda mais de meio século no ponto de vista social, sobretudo no que se refere aos cuidados a dispensar às pessoas mais pobres e vulneráveis.
Mas, para quê mandar abrir as cantinas escolares se, com um simples protocolo muitos ATL/IPSS, que se mantêm abertos durante as férias e podem, a um preço justo e conversado fornecer a tal refeição diária às crianças? E quanto aos velhos ou mais velhos, que nada têm? Não merecem ser contemplados? Tudo bem! Foi apenas uma pergunta..!
Não gostaria de ver Portugal recuar, como está a acontecer. Sei que será difícil fazer-me ouvir, e sei também que apenas certas cabeças são bem pensantes e que, haja o que houver, levarão por diante aquilo que já desenharam.
Não se deve brincar nem com a doença nem com a dignidade das pessoas, sobretudo as mais desfavorecidas, como preferem se diga, porque são pessoas, seres humanos e com todos os direitos inscritos na Magna Carta dos Direitos Humanos.
Afirma-se que Portugal faz parte dos países desenvolvidos, mas quer-me parecer que dizem isso só para ficarem bem na fotografia, porque há cerca de três milhões de pessoas, de cidadãos que passam fome diariamente e se vão degradando física e psicologicamente, o que parece indicar viverem abaixo do limiar da pobreza.
Noutros tempos diziam-nos: «Portugal pode ser um país rico e próspero se os portugueses quiserem!» Os portugueses queriam, mas a esmagadora maioria nunca conheceu nem uma coisa nem a outra. E hoje, passa-se o mesmo, para não dizer pior, porque alguns, sempre os mesmos, devido à sua cupidez nos conduziram ao beco sem saída em que nos encontramos. E se não acham que tenho razão, permitam-me apenas saudar efusivamente com um «Viva a República», o país e o povo de Portugal.
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