europa – em Julho próximo, faz já um ano desde que dei início a esta cruzada pela verdade da ponte da arrábida. este embate e esta dedicação, o processo obstinado que implicou e a perseverança incómoda que exigiu, aborreceu por demais, mas elucidou muito boa gente ! hoje sabemos que a grosseira adulteração da obra-prima do engº edgar cardoso, a menosprezada e maltratada ponte da arrábida, património e propriedade da cidade do porto, é da ambígua e complexa responsabilidade da ep, estradas de portugal, do inir, instituto das infra-estruturas rodoviárias, da aedl, auto-estradas do douro litoral, e que estas várias instituições estão subordinadas e sedeadas no gigantesco edifício brisa !
na minha opinião tudo começou, pela necessidade periódica de manutenção, com o trepar da ponte por parte de um quadro temerário da ep, “é pá... e agora, para descer...” o desenho gestual da ponte, representa por si só, um amplo obstáculo desencorajador ! por sugestão de um primeiro servente, surgiu a ideia da colagem de escadas de serviço em ambos os arcos da ponte ! o isco pegou, mas cedo se aperceberam no bico de obra em que se haviam metido, pois a curvatura dos arcos elípticos não permitiram a
implantação de dois degraus iguais, ou no cobertor ou no espelho de centenas de degraus, o remendo tornou-se uma constante, mas lá foi feito ! “mas agora não tenho onde me apoiar...” a colocação das centenas de metros de alvos corrimões já foi um raciocínio decorrente do primeiro ! e a estulta bola de neve não parou de avolumar ! “mas então os tipos podem subir por aqui...” o que levou à colocação de guardas de ferro e arame nos dois arranques laterais e na chegada às escarpas dos arcos da ponte ! finalmente, como o arame das guardas cedo cedeu ao convite que os degraus agora proporcionam, depois do alarido que tenho feito, o ferro foi substituído por um muro com mais de três metros de altura, depositado entre as duas torres elevatórias de cada ala da ponte e munido com uma porta em ferro de duas folhas ! “e mais vale prevenir do que remediar...” no cimo da parede, o topo do muro, o infeliz, foi ornamentado por um rude rodopio de arame farpado minuciosamente pousado no branco !
trata-se de uma usurpação da propriedade e do património cultural e artístico portuense, não pode passar em claro, pois, para além de ser um atentado à soberania da cidade do porto, representa de facto uma prepotente e abusiva ofensa a todos munícipes portuenses !
quem fez isto não vai ser lembrado por nada, quem o vai ser são os dois autarcas de então, de agora, que distraída e levianamente o permitiram !!! mas ainda têm, até ao final do terceiro mandato, enfim, para o concluir !!!
que diabo, isto devia ter ido, no mínimo, a assembleia municipal, tem que ficar em acta camarária, deve ser revista pelo património e pelo urbanismo, quem a podia aprovar ou rejeitar, mas não foi assim,,, pois não ?!
aos arquitectos pode-se desculpar a inveja por perplexa, perante a perfeição, o arrojo e a singeleza, a escala e a monumentalidade, a coragem e o soberbo da obra ! mas aos engenheiros não se deve inocentar nem o silêncio nem o alheamento ao reconhecimento de um insulto à sua classe profissional ! o desrespeito pela obra de um dos seus, o primus inter pares !
por mim, como português, sinto-me envergonhado pelo isolamento deste meu acto !
lélio m p o
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