
Eis uma questão que reflecte o precário exercício da cidadania por parte de todos nós, portugueses.
Muitos falham pela carência de escolaridade.
Outros, pela falta de bons hábitos e convivência social, tudo isso completado pelo perverso fenómeno dos falsos arautos do bem-estar – grande indutor do comportamento omisso de massa, por cerca duma centúria e, até aos nossos dias, pela ditadura dos meios electrónicos.
O hábito da participação social está longe de ser uma das nossas características. Destacamo-nos pelo e através do individualismo. (Aberrante).
Um povo dotado, desde longa data, dum nível educacional adequado, desde cedo descobre que o melhor caminho para todos os carentes de riqueza e de poder, é a prática da agremiação (associação), da actuação colectiva.
Isso confere-lhe força para limitar os poderosos. Desse modo, comporta-se também, mais ou menos assim, em relação aos políticos:
a) Procura sempre votar certo nos mais capazes e confiáveis;
b) Acompanha, permanentemente, o desempenho do mandato dos eleitos;
c) Quando necessário, é sempre representado convenientemente – para efeito de reivindicações, pressões e contra-pressões – por uma miríade de entidades, colectividades e instituições representativas dos mais diversos grupos e sectores sociais.
d) Não reelege aqueles mandatários que não cumprem as promessas de campanha, respondem por desvios de comportamento, etc, etc.
Há tempos atrás vimos, ao vivo pela televisão, o suicídio dum político norte-americano, que não suportou a pressão popular, motivada pelos seus desvios como homem público.
No nosso país, nem mesmo a classe média, escolarizada, cultiva o sentido da colectividade.
Um exemplo que todos conhecemos e vivemos é a quase completa omissão em relação à administração dos condomínios, o que os torna quase inadministráveis.
Igualmente, a cultura da omissão faz com que se vote em maus políticos, reconhecidamente desprovidos das mínimas qualidades de decência e competência.
Temos demasiados exemplos de políticos que há anos transitam pelos tribunais, como réus, em processos de malversação e desvio de recursos públicos, que são continuamente reeleitos, com grandes votações, pelo eleitorado do país.
Ninguém duvida da absoluta necessidade de estancar a corrupção nos três poderes da República, bem como na corruptora iniciativa privada.
Mas, face a este “status quo”, como levá-la a efeito?
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