E lá vão dois

Agradeço a todos a participação e observação neste blog, mas tal como o antecessor, pifou....
mas, poderão continuar a seguir-nos em
«Curiosa Lusitânia», pelo menos até que lhe aconteça o mesmo..., altura em que novo blog nascerá.
Até lá... e obrigado pela companhia...

José Cândido Menezes

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O país das espertezas e dos inocentes

Há dias, ia um sujeito a passar junto à porta do palácio de S. Bento quando ouviu uma gritaria que de á saía. «Filho da p…., ladrão, salafrário, assassino, traficante,mentiroso, pedófilo, vagabundo, sem-vergonha, trafulha, preguiçoso da m…., vendido, usurário, foragido, oportunista, engana-incautos, assaltante do povo…»
Pasmado, pergunta ao segurança que estava á porta: “Que está a acontecer aí dentro? Estão a lutar?” «Não!», responde o segurança. «Quanto a mim, estão a fazer a chamada para a costumeira votação».
Pensava-se que antes de Abril 74 viviamos num regime que não prestava, assim como os que dele faziam parte. Agora, diz-se que este ou aquele, por tal ou tal motivo, não presta. E quem vier depois, não servirá para nada. Por tais motivos, começo não a suspeitar mas a ter a certeza de que o problema não está nos corruptos e ladrões, nos farsantes dos políticos, mas em nós. Nós como povo, como matéria-prima deste miserando país.
Porque pertençemos a um país onde a “esperteza” é a moeda que é sempre valorizada, mais que o euro ou o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada que formar uma família baseada nos valores e respeito pelos demais. Sim, um país onde, lamentavelmente só existe oportunismo onde deveria existir vontade de partilhar.
Um país onde as empresas públicas e privadas se transformam em abastecedoras dos seus mais altos funcionários; um país onde as pessoas se sentem o máximo porque tiraram uma extensão da TVCabo do vizinho e se aldraba a declaração de impostos, para os não pagar. Vivemos num país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores de empresas ecusam valorizar o capital humano, onde há pouco interesse pela ecologia e pelo asseio e higiene das ruas das cidades. Um país onde os deputados trabalham dois dias por semana para aprovar leis que só servem para afundar os mais pobres e elevar ainda mais os mais ricos. Um país onde tudo é pretexto para fugir à seriedade, onde uma pessoa de idade avançada não merece que um jovem se levante e lhe ofereça o lugar no autocaro, simulando dormir. Um país no qual as passadeiras não têm qualquer valor, onde se faz tanta coisa errada, mas em que todos (…) fogem a criticar os governantes.
Como matéria-prima dum país, há muitas coisas boas, mas falta-nos muito para sermos os homen e mulheres de que o país precisa.
Esses defeitos, essa “esperteza portuguesa” congénita, essa desonestidade em pequena e grande escala, que cresce e evolui até atingir a honra de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais que qualquer político, é que é real e honestamente má, porque todos são portugueses como nós e eleitos por nós.
Ainda que todos renunciassem hoje mesmo, quem viesse a seguir deveria rabalhar com uma matéria-prima defeituosa que, como portugueses, somos todos nós. E nada poderá ser feito. Não há nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor enquanto alguém não mostrar um caminho próprio para eradicar os vícios que temos como povo. Até lá, ninguém servirá.
Será que precisamos de mais um ditador que nos faça cumprir á força do medo? Não!, faz falta outra coisa. E enquanto essa coisa não surgir de baixo para cima, continuamos condenados, igualmente sacaneados. Não esperemos acender uma vela a todos os santos a ver se nos mandam um novo Messias, pois somos nós quem tem de mudar.

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